domingo, 20 de janeiro de 2013

Candidato.


Aos 18 anos, Porchat abandonou São Paulo e a faculdade de administração em que acabara de entrar para estudar teatro no Rio de Janeiro. Durante cinco anos, morou de favor na casa de uma tia. Desde então, melhorou as acomodações: atualmente, ele e a mulher, a atriz Patricia Velazquez, vivem em um apartamento de 140 metros quadrados no bairro de Laranjeiras que no dia da entrevista mais parecia um cenário de guerra. “Desculpe a bagunça, é que mandei descupinizar”, anunciou um sorridente Porchat, vestindo uma camiseta de Che Guevara com nariz de palhaço, ao abrir a porta. Não é o estado normal do mundo à sua volta. “O Fabio tem mania de limpeza. Fazemos muitas noites de jogatina na casa dele, principalmente jogos de mímica. Ele adora receber, mas detesta louça suja. Às vezes levanta para lavar no meio do jogo”, conta Ian SBF, sócio no Porta dos Fundos e melhor amigo. Porchat nega: a mania não é de limpeza, é de organização. “Em casa, quem deixa a toalha molhada em cima da cama é a Patrícia”, garante. Este traço de personalidade ajuda na hora de definir sua atribulada rotina -- costuma distribuir os compromissos durante o dia e escrever à noite. “Nessa hora eu digo para mim mesmo: agora vou ter uma ideia. Aí paro tudo, sento e escrevo”, diz. “Quem fica esperando a inspiração chegar não sai do lugar”.
Porchat é do tipo que fala muito, em alto e bom som, gesticula e não para quieto. Conta que o primeiro emprego, em 2006, foi de redator do programa Zorra Total. Foi ficando conhecido e ocupando espaços até que chegar à internet e decuplicar a audiência. “A internet não é o futuro. Ela é o presente, o totalmente agora”, diz. No Porta dos Fundos, 56 vídeos -- por enquanto -- de em média 3 minutos dissecam situações cotidianas com fina (às vezes, não muito fina) ironia. O mais popular, uma sátira ao atendimento de uma rede de fast food em que um balconista impaciente tortura a cliente indecisa, foi tão comentado que a empresa, em vez de brigar, uniu-se ao crítico. “Eles nos contrataram para fazer duas continuações”, diz Porchat. Não revela o valor do contrato, mas deu para cobrir os custos de oito novos vídeos. “Foi a primeira vez que realmente ganhamos dinheiro com o site. O mais comum é tirarmos do nosso bolso para bancar o projeto”, conta.
As corporações não costumam deixar passar as brincadeiras do Porta dos Fundos. As latinhas de Coca-Cola com nomes são o alvo mais recente do humorista, que, vestido de funcionário de um supermercado, desanca uma cliente que procura por “Kellen” na prateleira. O funcionário é Uelerson. Brincadeira feita, problema resolvido: a Coca-Cola soltou em sua página oficial no Facebook as imagens de novas latas para o que chamou de “nomes caprichados”.

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